Dharma estava sentado de frente para a parede. O segundo patriarca estava na neve, decepou o próprio braço, e disse, “A mente deste discípulo ainda não se aquietou. Imploro ao professor que tranquilize minha mente”. Ma disse, “Traga sua mente aqui e eu a tranquilizarei para você”. O patriarca disse, “Minha procura pela mente terminou, mas não posso obtê-la”. Ma disse, “Terminei de tranquilizar sua mente para você”.
Wumen diz:
O estrangeiro com vão nos dentes navegou dezenas de milhares de léguas até aqui para um propósito especial. Pode-se dizer que é como levantar ondas em tempo sem vento. Finalmente encontrou um homem particular do portão, mas lhe faltava uma raiz — um membro. Ora, Xiesanlang, o segundo patriarca, não sabia quatro palavras.
A canção diz:
Veio do oeste e com o dedo apontou diretamente,
Por causa desse assunto, começou a junção.
O barulho importuno dos monastérios,
A causa de chegar até aqui é você.
[1]Bodhidharma, patriarca da escola Chan.
13 Março, 2012
09 Março, 2012
08 Março, 2012
Sob o céu,
ninguém consegue enxergar
e ninguém consegue compreender
a circunstância da subtração.
Quando um homem superior domina a circunstância,
terá firmeza, apesar de dificuldade;
quando um homem inferior domina a circunstância,
terá então uma vida reduzida.
O céu e a terra, os dez mil seres e os homens individualmente estão, constante e interminavelmente, subtraindo energia uns dos outros, mas poucos são os que conseguem enxergar ou compreender essa circunstância. Por isso, o Taoísmo chama esse roubo de “subtração oculta”.
Quando a pessoa se empenha num determinado projeto de vida e obtém retorno pífio para a sua dedicação, raramente compreende que passou por uma circunstância de subtração no seu destino e foi furtada pelos dez mil seres em sua iniciativa. Essa falta de compreensão da circunstância da subtração deve-se à ignorância que impede o ser humano de enxergar os roubos que ocorrem permanentemente no mundo. Assim, a pessoa não consegue entender como sua energia foi subtraída, por que foi furtada e nem mesmo atinar para quem ou o que subtraiu sua força. O ser humano não consegue perceber como esses momentos acontecem, quando acontecem e por que acontecem. Mas quem compreende o ciclo torna-se capaz de trazer para a sua vida, dependendo de como aborda a oportunidade, tanto a boa fortuna quanto os infortúnios. Esse pode ser o Homem Superior ou o homem inferior.
O destino é feito de claridade e obscuridade, de ondas muito altas que chegam como tsunamis, ou chegam mais calmas e baixas, como se viessem acariciar a praia. Para tomar essas circunstâncias em seu benefício e transformá-las em boa fortuna, é preciso ser o Homem Superior. Este terá firmeza para enfrentar, com coragem, as dificuldades que se apresentem para ele em momentos cruciais da sua vida, ou no destino de uma coletividade.
Firmeza é a solidez que não abandona o Homem Superior, mesmo em momentos de adversidades. Nos momentos serenos, tanto quanto nos momentos de crise, ele consegue manter o equilíbrio emocional, o que lhe garante alcançar seus objetivos dentro de uma conduta de retidão. Por isso, o Homem Superior consegue tomar a circunstância ou destino do céu e da terra como seu próprio destino, apesar dos obstáculos e impedimentos que possa encontrar. De modo inverso, o homem inferior[1], por não possuir a retidão, quando reconhece com propriedade a circunstância, utiliza o ego para criar ele mesmo as oportunidades e dominar a situação em proveito de projetos pessoais. Quando isso acontece, o resultado que encontra é apenas o gasto excessivo de energia desperdiçada em função da sua engenhosidade e da ansiedade gerada pela expectativa do resultado. Essa energia esbanjada será levada, então, pela circunstância e terminará reduzindo a sua vida.
[1] Expressão utilizada nas mensagens do Yì Jīng. Representa a pessoa mesquinha, ignorante e sem retidão.
Wu Jyh Cherng, Yīng Fú Jīng: tratado sobre a união oculta: Huángdi, o Imperador Amarelo. Rio de Janeiro: Mauad, 2008
e ninguém consegue compreender
a circunstância da subtração.
Quando um homem superior domina a circunstância,
terá firmeza, apesar de dificuldade;
quando um homem inferior domina a circunstância,
terá então uma vida reduzida.
O céu e a terra, os dez mil seres e os homens individualmente estão, constante e interminavelmente, subtraindo energia uns dos outros, mas poucos são os que conseguem enxergar ou compreender essa circunstância. Por isso, o Taoísmo chama esse roubo de “subtração oculta”.
Quando a pessoa se empenha num determinado projeto de vida e obtém retorno pífio para a sua dedicação, raramente compreende que passou por uma circunstância de subtração no seu destino e foi furtada pelos dez mil seres em sua iniciativa. Essa falta de compreensão da circunstância da subtração deve-se à ignorância que impede o ser humano de enxergar os roubos que ocorrem permanentemente no mundo. Assim, a pessoa não consegue entender como sua energia foi subtraída, por que foi furtada e nem mesmo atinar para quem ou o que subtraiu sua força. O ser humano não consegue perceber como esses momentos acontecem, quando acontecem e por que acontecem. Mas quem compreende o ciclo torna-se capaz de trazer para a sua vida, dependendo de como aborda a oportunidade, tanto a boa fortuna quanto os infortúnios. Esse pode ser o Homem Superior ou o homem inferior.
O destino é feito de claridade e obscuridade, de ondas muito altas que chegam como tsunamis, ou chegam mais calmas e baixas, como se viessem acariciar a praia. Para tomar essas circunstâncias em seu benefício e transformá-las em boa fortuna, é preciso ser o Homem Superior. Este terá firmeza para enfrentar, com coragem, as dificuldades que se apresentem para ele em momentos cruciais da sua vida, ou no destino de uma coletividade.
Firmeza é a solidez que não abandona o Homem Superior, mesmo em momentos de adversidades. Nos momentos serenos, tanto quanto nos momentos de crise, ele consegue manter o equilíbrio emocional, o que lhe garante alcançar seus objetivos dentro de uma conduta de retidão. Por isso, o Homem Superior consegue tomar a circunstância ou destino do céu e da terra como seu próprio destino, apesar dos obstáculos e impedimentos que possa encontrar. De modo inverso, o homem inferior[1], por não possuir a retidão, quando reconhece com propriedade a circunstância, utiliza o ego para criar ele mesmo as oportunidades e dominar a situação em proveito de projetos pessoais. Quando isso acontece, o resultado que encontra é apenas o gasto excessivo de energia desperdiçada em função da sua engenhosidade e da ansiedade gerada pela expectativa do resultado. Essa energia esbanjada será levada, então, pela circunstância e terminará reduzindo a sua vida.
[1] Expressão utilizada nas mensagens do Yì Jīng. Representa a pessoa mesquinha, ignorante e sem retidão.
Wu Jyh Cherng, Yīng Fú Jīng: tratado sobre a união oculta: Huángdi, o Imperador Amarelo. Rio de Janeiro: Mauad, 2008
22 Fevereiro, 2012
07 Fevereiro, 2012
A fronteira sem portões --- 40
40. Derrubando o pote de água
O venerável Weishan estava começando a viver na assembleia de Baizhang e servia como chefe de cozinha. Como Baizhang ia escolher um mestre para o monastério Grande Wei, requisitou que as palavras do primeiro assento fossem comparadas às da população inferior, para escolher quem seria aprovado. Baizhang então pegou o pote de água, colocou-o no chão, e formulou uma pergunta, “Vocês não podem chamar isso de pote de água. De que chamam isso?”. Aquele do primeiro assento então disse, “Não se pode chamar de toco de árvore”. Baizhang também perguntou a Shan. Shan então derrubou o pote de água e saiu. Baizhang riu e disse, “O primeiro assento perdeu para o irmão Shan”. E assim Shan foi mandado para presidir Wei.
Wumen diz:
Weishan provou-se corajoso, disputando e pulando, mas não pôde ir além do círculo de Baizhang. Ao se examinar isso no futuro, será pesado, não será leve. Por que tirar a bandana de cozinheiro da cabeça e levantar a pesada canga de ferro?
A canção diz:
Ele jogou fora o coador de bambu e a concha de madeira,
Quando de uma vez cortou o bloqueio do círculo.
A pesada barreira de Baizhang não o impediu,
Chutou com a ponta dos pés e fez aparecer muitos Budas.
O venerável Weishan estava começando a viver na assembleia de Baizhang e servia como chefe de cozinha. Como Baizhang ia escolher um mestre para o monastério Grande Wei, requisitou que as palavras do primeiro assento fossem comparadas às da população inferior, para escolher quem seria aprovado. Baizhang então pegou o pote de água, colocou-o no chão, e formulou uma pergunta, “Vocês não podem chamar isso de pote de água. De que chamam isso?”. Aquele do primeiro assento então disse, “Não se pode chamar de toco de árvore”. Baizhang também perguntou a Shan. Shan então derrubou o pote de água e saiu. Baizhang riu e disse, “O primeiro assento perdeu para o irmão Shan”. E assim Shan foi mandado para presidir Wei.
Wumen diz:
Weishan provou-se corajoso, disputando e pulando, mas não pôde ir além do círculo de Baizhang. Ao se examinar isso no futuro, será pesado, não será leve. Por que tirar a bandana de cozinheiro da cabeça e levantar a pesada canga de ferro?
A canção diz:
Ele jogou fora o coador de bambu e a concha de madeira,
Quando de uma vez cortou o bloqueio do círculo.
A pesada barreira de Baizhang não o impediu,
Chutou com a ponta dos pés e fez aparecer muitos Budas.
05 Fevereiro, 2012
É DE VERDADE (cantiga do tempo)
A gente, no verão,
É de ver.
E a gente, no inverno,
É de inverter:
De inventar de verdade.
De verter... de ventar...
Sem dever, a primavera verá,
No devir, o outono de outro não.
Outro, então, há de vir,
No verão
Que a gente vê.
01 Fevereiro, 2012
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