08 abril, 2009

A Fronteira sem Portões --- 6

6. O Buda segura uma flor

Uma vez na montanha Grdhrakuta, o Buda Sakyamuny [8] pegou uma flor e mostrou-a à assembleia. Todos ficaram em silêncio. Somente o honorável Kasyapa abriu um sorriso. O Buda disse, “Eu possuo o olho mediano do Dharma, a maravilhosa mente, a verdadeira aparência não aparente, o sutil portão do Dharma, não estabelecido por palavras escritas, transmitido por além dos textos. Entrego e confio essas palavras encorajadoras a Kasyapa”.

Wumen diz:

Gautama da face dourada agiu como se não houvesse ninguém ali. Ele pressionou os bons para junto do vulgo. Mostrou uma cabeça de carneiro e vendeu carne de cachorro. Quantos estão prontos para dizer que isso é peculiar? E se naquela hora o povo da cidade o tivesse ridicularizado, como poderia ter transmitido o olho mediano correto do depositório do Dharma? E também se Kasyapa não tivesse sorrido, poderia ter transmitido o olho mediano do Dharma? Se disser que o depósito depositório do olho mediano correto do Dharma pode ser transmitido, o velho da face dourada trapaceia nos portões da vila. Se disser que o depositório do olho correto do Dharma não pode ser transmitido, então por que apenas Kasyapa foi louvado?

A canção diz:

Ao pegar e mostrar a flor,
Já mostrou a cauda;
Quando Kasyapa sorriu,
Pessoas e deuses devas foram enganadas.



[8] Buda Sakyamuny, ou Sidartha Gautama, é o principal Buda do budismo, tendo dado origem a essa religião organizada. É também o Buda regente da era vermelha, anterior à atual, segundo algumas tradições.

26 março, 2009

Kraftwerk: entre o pop e o erudito, entre o velho e o novo, em seu próprio lugar

Quando o Kraftwerk começou, a eletrônica era coisa acadêmica, ainda mais na Alemanha. Eles foram muito influenciados por Stockhausen, esse sim um verdadeiro pioneiro da eletrônica. O Kraftwerk tem o mérito de ter tornado a eletrônica mais digerível para as massas, ou seja, é responsável por sua popularização e, naturalmente, por seu desenvolvimento, mas não são tão pioneiros quanto muitos pensam. A sonoridade deles pode ser traçada dentro do contexto da música erudita, e tudo fica muito claro: fundiram a música eletrônica alemã "pura", bem estabelecida desde o início dos anos 50, com o minimalismo norte-americano, bastante em voga nos anos 60, surgido em resposta à complexa e matemática música serialista, utilizando-se porém de vocais da música pop. Desse modo catalizaram toda a subcultura eletrônica pop subsequente, colocando-se em uma posição singular inclassificável entre o erudito e o pop, sintetizando magistralmente, com humor e ironia, críticas sociais profundas e totalmente relevantes. Muito denso, e ao mesmo tempo estruturalmente simples.

Quanto ao show do Kraftwerk [domingo 21.03.09], deixou a desejar. Claro, ainda é Kraftwerk, e teve pontos brilhantes, como a inclusão da tradução em português de alguns versos de Showroom Dummies (Nós somos os manequins/Nós entramos no clube/e começamos a dançar). Mas, por alguma razão (crise de meia-idade de Ralf Hütter ou vontade de mostrar de serviço dos novos integrantes) quiseram "atualizar" algumas músicas. Radioactivity ficou parecendo poperô. Sem comentar as roupinhas retro-futuristas com luz roxa na cara. Kraftwerk não precisa disso. Afinal, já é lenda, por vários motivos, seja pela "postura irônica — sarcástica até — dos caras fazerem uma música dançante e ficarem completamente parados no palco, ou pelo fato de tocarem Autobahn — uma música cujo tema sugere movimento — e colocarem imagens paradas no telão. Sem falar nas referências mais óbvias à sociedade capitalista industrial em que vivemos e todas suas características de desumanização, anulação do homem, glorificação da tecnologia (tema recorrente nos filmes de Stanley Kubrick, especialmente o 2001: Uma odisséia no espaço) e à prevalência do elemento visual nos meios de comunicação. Kraftwerk é arte pura, no conceito que Marshall McLuhan dava ao termo. É inovador, vanguardista, genial, belo e contagiante. Se eles ficam brincando no computador, se são uns velhos excêntricos, se adolescentes lobotomizados e abobalhados pelo constante bombardeio midiático acham o show entediante — nada disso importa. Kraftwerk não tem que provar nada pra ninguém" [citação de Rinaldo Costa, de Goiás]. Por isso mesmo, Herr Hütter deveria partir para uma nova empreitada, composições mais sérias, carreira solo ou algo assim, e fechar o caso Kraftwerk.

Jecaradio#02

Jecaradio#02 = nesta semana uma seleção das novas pérolas do indie rock, twee e um remix de chacoalhar na sua cadeira.



Nesta edição:

Um pouco de berros, riffs e batidas para animar as tardes de trabalho. So...Shake!

Of Montreal


Ao contrário do que o nome indica, a banda Of Montreal não é de Montreal, Canadá. Foi formada na cidade de Athens, no estado da Geórgia, Estados Unidos, em 1997. Tem como líder e principal compositor, o vocalista e guitarrista Kevin Barnes. Of Montreal é uma dos principais grupos que surgiram na onda da gravadora Elephant 6.

We are Wolves

Este trio canadense de Montreal é especializado em destruir pistas de dança usando e abusando de programações eletrônicas e sintetizadores picantes, sem deixar de lado os vapores do indie-rock. Em um álbum no qual é possível identificar tanto a podridão de garagem (com merecido destaque para a voz arrebentada do vocalista e baixista Alexander Ortiz) como as picardias noturnas que os timbres de “música para dançar de maneira inteligente” podem nos proporcionar, os lobos de jeans e camiseta manchada atacam suas presas indefesas com um bote pós-moderno e, no mínimo, inquietante.

The Raconteurs

The Raconteurs é uma banda americana de Nashville que tem como integrantes Jack White - do White Stripes - ; Brendan Benson; Patrick Keeler e Jack Lawrence - os 2 do Greenhornes. Foi lançada no início de 2006, e seu 1o CD é Broken boy Soldiers.
Os integrantes fazem questão de deixar claro que "não é só mais um projeto paralelo, e sim uma banda que veio para ficar".

Ladytron / Soulwax

Ladytron: banda de electropop contemporâneo fundada em Liverpool, Reino Unido. A banda retirou esse nome da música "Ladytron", do primeiro álbum do Roxy Music.
Ladytron já foi classificado pela imprensa como uma banda do estilo electroclash, mas eles nunca se disseram identificar com a cena. Em uma entrevista recente, eles declararam que se consideram "eletrônica com um punho".

Soulwax: encabeçado por David e Stephen Dewaele, é uma banda de rock alternativo vindos de Gante, Bélgica. Embora os irmãos Dewaele tenham lançado vários trabalhos com este nome, os dois são mais conhecidos pela sua contribuição para a música eletrônica, sobre os codinomes Flying Dewaele Brothers e 2 Many DJs com seu influente álbum As Heard On Radio Soulwax Pt. 2. O grupo é conhecido por fazer remixes de grupos como Muse, Gorillaz, Kylie Minogue e Daft Punk.

Le Tigre

Le Tigre é uma banda americana de punk- dance, formada em Nova York, Estado Unidos em 1998 por Kathleen Hanna (ex-Bikini Kill, banda punk feminista) e Johanna Fateman (Zineira, na escola sempre se dedicou à arte e questões de política relacionada ao feminismo), Sadie Benning (Videomaker) de 1998 até 2001 e JD Samson completa o grupo. Le Tigre é conhecido por suas letras político-sociais, tratando de assuntos como feminismo e a comunidade LGBT.

Radiohead

O Radiohead é um grupo de rock alternativo, considerada uma das mais importantes bandas de rock na atualidade.
Nasceram no fim dos anos 80, em Oxford, Inglaterra, originalmente sob o nome On A Friday (referência ao único dia da semana em que os membros se conseguiam reunir para ensaiar, Sexta-feira).
O nome Radiohead veio de uma música dos Talking Heads, uma das influências da banda, chamada "Radio Head". Outros artistas que influenciaram os Radiohead são Joy Division, Elvis Costello, Aphex Twin, R.E.M. e Pink Floyd.

Metric

Metric, é uma banda originalmente formada em Nova Iorque, EUA porém atuante no Canadá, a banda tem como integrantes a vocalista Emily Haines, o guitarrista James Shaw, o baixista Josh Winstead e o baterista Joules Scott-Key. Seu primeiro álbum foi "Old World Underground, Where Are You Now?" lançado em 2003. O novo álbum "Live it Out" foi lançado em 4 de outubro de 2005 e indicado para o Polaris Music Prize de 2006 para a categoria de melhor álbum canadense do ano, obteve também uma indicação de melhor álbum no Juno Awards (Premiação Canadense). Emily Haines e James Shaw também tocam com o grupo "Broken Social Scene", Haines também participou como convidada nos álbuns de Stars. KC Accidental, Delerium, The Stills, e Jason Collett.

Cold War Kids

Cold War Kids é uma banda americana de Indie rock que existe desde 2004 e tem influências de músicos e bandas como Jeff Buckley, Bob Dylan, Velvet Underground, e Johnny Segment. A banda já esteve em turnê com Muse, Two Gallants, Tapes 'n Tapes, Clap Your Hands Say Yeah, Sound Team e The White Stripes.A banda foi formada no apartamento de Jonnie Russell que fica em cima do restaurante Mulberry St. Ristorante (que também é o nome do primeiro EP da banda) no centro da cidade.

Críticas, sugestões e afins, deixem um comentário.

14 março, 2009

CHARLESPOP

Lesei.

Movimento pela Marcha

Chega a hora de nos reunirmos para marchar em 2009. Ano passado em São Paulo e em várias outras capitais a Marcha pela legalização da maconha foi proibida. Vamo fazer essa putaria acabar. Essa falsa concepção que existe, relacionando os usuários de maconha à vagabundagem”,
cairá por água abaixo com a sua legalização.

desenho de Henrique Koblitz

Em prol da legalização

[OFF TOPIC?]

http://filipetadamassa.blogspot.com/2009/03/movimento-pela-marcha-unzinhocom.html

Temos um encontro marcado com a democracia esse ano.

Em breve vamos marchar juntos com cidades do mundo inteiro em prol da legalização da maconha. É um movimento importantíssimo. Educar, esclarecer, protestar, dialogar e manifestar.
Precisamos de união para conquistar voz ativa.
Precisamos de grana para viabilizar isso tudo.
Precisamos de opiniões, idéias e participações.
VOCÊ PODE AJUDAR!

Neste final de semana (14 ou 15 março) escreva em seu Blog, Twitter, Messenger, Orkut, Facebook, myspace…sua opinião, idéia ou manifesto com o título “MOVIMENTO PELA MARCHA”
Não se esqueça de enviar o link do seu post para queima@unzinho.com

Iremos fazer um post especial com os links dos posts gerados pela galera.

ENVIE ESSE POST PARA AMIGOS, CONHECIDOS E TODOS MAIS QUE PUDER.
Valeu!

[Neco Tabosa]

12 março, 2009

Jecaradio#1

Jecaradio#1 = alguns beats, aleatórios ou não, achados por ai e reunidos em uma seqüência sonora ímpar.




Nesta edição:

Um pouco de afrobeat e outros perdidos por ai.Divirta-se!

Tony Allen

Baterista e diretor musical da Fela Kuti's band de 1968 a 1979, Tony Allen, foi um dos fundadores da Afrobeat music. Fela Kuti um dia disse "Sem Tony Allen, não existiria o Afrobeat".

Daktaris

The Daktaris é um grupo de Afrobeat formado no Brooklyn e lançou do CD Soul Explosion em 1998 com um som que lembrava o estilo nigeriano dos anos 70.

Cedric IM Brooks

Nascido em Kingston, Jamaica, é um saxisofonista e flautista que gravou algumas coisas solo e é membro de grupos como The Mystic Revelation of Rastafari, The Light of Saba e o Skatalites.

Spanky Wilson

Cantora de soul, jazz e funk,Spanky Wilson já dividiu palco com alguns caras como marvin Gaye, Sammy Davis Jr e Jimmy Smith. Seu último trabalho gravado foi I'm Thankful com Quantic Soul Orchestra.

Asian Dub Foundation

Um professor de tecnologia musical, Dr. Das, juntou-se a um de seus estudantes, o rapper Deeder Zaman e o ativista pelos direitos civis dos trabalhadores DJ Pandit G para criar um sistema de som destinado a tocar músicas anti-racistas. No ano seguinte, foi recrutado Chandrasonic e em 1995, completou-se a banda com a entrada de Sun-J.

Budos Band

A banda possui 11 membros, as vezes 13, que levam um som instrumental auto intitulado como Afro-Soul. As influências nos cds dos caras são Jazz, deep funk, Afro-beat, and soul.

Fela Kuti

O estilo musical de Fela Kuti é chamado Afrobeat, o que essencialmente é uma fusão de jazz, funk e cantos tradicionais africanos. Possui percussão de estilo africano, vocais e estrutura musical que passa por jazz e seções de metais funky. O "endless groove" também é usado, com um ritmo básico com baterias, muted guitar e baixo que são repetidos durante a música. Essa é uma técnica comum na África e em estilos musicais influenciados por ela, como o funk e o hip-hop. Alguns elementos presentes nas músicas de Fela são chamados de call-and-response (chamada e resposta) com o coro e alguns simples mas significativos rifes. A música de Fela quase sempre tem mais do que dez minutos, alguns atingindo a marca de vinte ou trinta minutos. Essa é uma das muitas razões que sua música nunca atingiu um grau de popularidade substancial fora da África. Sua música era mais tocada em línguas nigerianas, além de algumas músicas tocadas em ((Yoruba)). Os principais instrumentos de Fela, era o saxofone e o teclado, mas ele também tocava trompete, guitarra e ocasionalmente solos de bateria. Fela se recusava a tocar músicas novamente após já tê-la gravado, o que por sua vez retardos sua popularidade fora d África. Fela era conhecido por sua performance, e seus concertos eram tidos como bárbaros e selvagens. Ele referência sua atuação como um jogo espiritual underground.

Deixa o comentário ai, semana que vem tem outro.

11 março, 2009

A fronteira sem portões --- 5

5. Xiangyan em cima da árvore

O venerável Xingyang disse, “Como um homem pendurado em um galho de uma árvore, segurando com a boca, sobre um precipício. Ele não pode usar suas mãos para subir no galho, seus pés não pisam na árvore. Debaixo da árvore uma pessoa lhe pergunta: ‘Qual o significado da sabedoria vinda do oeste [7] ?’. Desconsiderar o outro que pergunta não é correto. Se, por outro lado, responder, seu corpo morre e seu destino se perde. Nessa ocasião, o que ele deve fazer?

Wumen diz:

Mesmo que tenha manifestado um rio de discernimento, o uso total não é manifesto. Ao explicar um grande ensinamento, novamente o uso não é manifesto. Se entrar em contato com seu interior e manifestar, dá vida ao caminho que estava morto até agora, e mata o caminho que estava vivo até agora. Se talvez não for tão correto, então espere até a vinda de Maitreya e pergunte diretamente para ele.

A canção diz:

Xiangyan inventa de fato,
Seu veneno iníquo não tem limites,
Com ele emudece as bocas dos monges,
E olhos de demônio saem de seus corpos todos.



[7] A sabedoria vinda do oeste é a doutrina do budismo, o oeste é a Índia.